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 Entrevista: Música
 
A arte de ser NOA
 
                            Por: Cristina Alves
 
 
Se o bilhete de identidade diz Lia, já a vida artística recebeu-a como Noa. Se a sua voz voa até todos os que a seguem, o seu coração também não pára no amor à família, aos amigos, aos animais e ao voluntariado. É uma mulher do norte, com toda a certeza e diz com orgulho que o Porto é o seu lar.
 

Noa, para quem achava que só tocavas violino aí está o álbum “As coisas boas”. E vês arte em todos os lugares. A música “tipo de homem” foi escrita num guardanapo e houve outra que nasceu no ginásio. Verdade?
Sim, é verdade. As situações mais inusitadas são também as que proporcionam mais criatividade! Gosto de ouvir o que o mundo tem para dizer mas também gosto de ouvir o que o meu interior tem para me dizer. É um estado de alerta constante.


Tens uma licenciatura em Línguas e Literaturas modernas, o ballet é a tua paixão desde muito nova e tens o violino. Como foi até decidires ficar só com a música?
 Foi um processo que durou muitos anos. Pelo menos 10 que foi o tempo que dei aulas de música. De uma forma ou de outra sempre estive ligada à música. As letras mais tarde ligaram-se com a música e as coisas aconteceram.

 
 
 
 Para além da azáfama natural com a divulgação deste trabalho também cantas às quartas-feiras no Cais das Pedras. Sabes como começam essas noites mas nunca imaginas como vão acabar. Cantas de tudo?



É verdade! São noites de fado e poesia mas há de tudo muito dependendo dos clientes em cada noite. Porque são público activo e podem intervir sempre que queiram, é uma aventura! Até a minha mãe pára de trabalhar para vir cantar um fadinho!  A música une e é essa corrente tão especial que se cria nessas noites.









A Noa, que nasceu da Lia, é uma mulher completa? Feliz?

 Ainda não.  E ainda bem. (risos). A Noa tem cerca de 7 anos e ainda lhe falta fazer muita coisa ainda. Estou a desfrutar de cada alcance mas também de cada deceção. Tenho momentos de muita felicidade mas também lido muitas vezes com a frustração. Faz parte e aceito.

Ainda tens tempo para fazer voluntariado? A tua Benedita não reclama a ausência dos teus mimos? Como consegues tanta e tão boa energia?

 A Benedita, a Constança e a Mafalda! São 3 meninas lindas que vivem comigo e fazem parte da família!  Às vezes é complicado gerir o tempo até porque tenho de viajar muito mas as minhas irmãs apoiam-me nessas idas e tomam a minha vez.
O voluntariado é uma forma de estar. Sempre que posso faço as rondas às sextas feiras mas também trabalho na parte da "pobreza escondida": ajudo no que posso quando as famílias nos chamam  ( à associação  Heróis do Mar). A energia surge porque rodeio-me daquilo que também me faz bem. A músic, as pessoas, a família, os cães,  a Arte, o violino, a poesia. É onde carrego as minhas baterias todos os dias.

 Assumes sem qualquer problema que és uma mulher do norte e portista ferranha. És genuinamente orgulhosa das tuas raízes, das tuas vivências?

  Sou! Como posso não ser a viver numa cidade destas??  Amo estas gentes do Norte, amo as asneiras, a linguagem, a poesia, a raça, a sinceridade que tantas vezes já me magoou, amo o confronto e a amizade, amo a facilidade que estas pessoas têm em dar porque sim, amo o tempo que passa mais devagar, amo a criatividade e amo o sangue que herdei.
Toda a minha história tem o Porto gravado. É aqui que volto. Mais do que a minha casa,  é aqui o meu Lar.

 Ficamos a saber, mais ou menos, de onde vens. Queremos saber, acima de tudo, para onde vais, Noa?
Nao sei, mas venham comigo.
 
 
 
 
 
 
A música ” 7 da manhã” já está na boca de toda a gente e é interessante perceber que até em reportagens especificas de verão, férias, festivais, ela é usada pela sua originalidade, por ser diferente e pela boa energia que transmite. Se ainda não conhece, atreva-se a seguir Noa, a destemida. Ouse ouvir a boa música portuguesa.

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