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 Entrevista





                                                    Goooooooooolo,
                                     grita Manuel Chaves

                                                   por: Andreia Carneiro





Qual foi o teu primeiro contacto com o "Mundo" da Radio?



Olá Andreia, obrigado pelo teu convite. O meu primeiro contacto foi por volta de 1986, quando tentei e consegui fazer um programa de rádio na emissora pirata da minha terra, a Rádio Lidador da Maia.





Quando fizeste o teu primeiro relato de futebol, correu bem?



Quando, em termos de datas, não te consigo confirmar. Não tenho a certeza, nunca fui de guardar esses registos, mas deve ter sido por volta de 1987, 1988. Tenho a certeza que foi um jogo do S.C. Castelo da Maia em casa, na altura na antiga 3ª divisão nacional, contra quem já não me lembro. Se correu bem? Não tenho ideia, na rádio disseram-me que sim, pois no fim de semana seguinte fiz logo outro relato, mas pessoalmente não tenho ideia, estava muito nervoso.






Descreve-me se possível o que sente quando se grita Gooooollooooo?



Difícil. Acho que, de alguma forma gritar o golo é um pouco semelhante a marca-lo. Quando relatas e gritas o golo, é como chegar ao topo da montanha. É a conclusão perfeita do relato da jogada que estás a seguir.






O relato pela radio é sempre mais emocionante. E com o teu vozeirão, não é difícil que prendas os ouvintes. Mas, confessa, já te enganaste nos nomes dos jogadores durante um relato...



Algumas…às vezes estou tão longe dos jogadores e eles têm fisionomias tão semelhantes, que acabo por dizer o nome errado. Por norma, tento corrigir. Creio que os ouvintes não levam a mal e compreendem. Em tantas jogadas relatadas e nomes milhares de vezes ditos num relato, um equívoco não é significativo. Felizmente acontece poucas vezes.





Profissionalismo e dedicação definem-te como Jornalista desportivo, qual o jogo mais emocionante que fizeste?



A vida profissional tem sido minha amiga, tenho tido a sorte de estar em grandes momentos. Cada um tem a sua particularidade, mas por ventura há um mais marcante, pelo insólito: Nos anos 90, o FC Maia lutou até à última jornada pela subida à II Liga, mano a mano com o Vitória de Setúbal. Na altura o Maia foi na última jornada a Espinho vencer e precisava que o Vitória não ganhasse. O Jogo de Espinho, aquele que relatei, acabou e o de Setúbal demorou uns 5 minutos mais a terminar. Ainda por cima falhou a luz no período de compensação, pelo que as rádios não conseguiam relatar. Em Espinho ficaram no relvado os jogadores do Maia à espera de saber se subiam de divisão ( o Setúbal estava empatado aos 90 minutos) e nas bancadas cerca de dois mil adeptos maiatos. E eu, ali na cabine de imprensa a descrever aquilo tudo durante longos cinco minutos, até que chegou a notícia do golo vitorioso dos setubalenses…



 




Quem foi o entrevistado mais engraçado em todos estes anos de profissão?



Acho que foi o Fernando Rocha (o humorista) na tarde antes da final de Sevilha em 2003. Um verdadeiro cromo! Depois há grandes figuras como Pinto da Costa, Valentim Loureiro…e grandes senhores, com Lucho Gonzalez ou Rui Costa.





E a pior situação, a mais complicada, seja pela razão que for...



Paris, Parque dos príncipes, temperatura de 2, 3 graus negativos. Tinha uma garrafa de água, como sempre, ao meu lado, estava à temperatura ambiente quando a fui buscar. A meio do jogo dei uma golada e fiquei com gelo colado na garganta. Fiquei afónico por dois, três segundos. Uma eternidade em rádio.





O que é mais difícil nesta profissão, para ti? E o mais gratificante?



Pode mostrar a verdade a quem me ouve.





Se não fosses Jornalista desportivo da Antena 1 serias uma estrela rock, verdade?



Estrela é uma forma de dizer. Não me importava nada, mas sim, a musica é a minha outra grande paixão.





Como entrou a musica na tua vida e esta tua banda "Fórmula Rock"?















A musica faz parte de mim, desde que me lembro. Seja a tocar, seja a passar discos na rádio ou, em casa, como acontecia na minha infância. Os Formula foram criados em 2010. Foi o primeiro projeto musical pensado por mim, com o meu grande amigo David Morais, teve duas formações e recentemente, este mês de Agosto, terminou. O ciclo Formula acabou, mas a musica continua, estou já a preparar um novo projeto do qual terei todo o gosto em te falar em breve. Sempre fiz parte de bandas, normalmente era em grupos criados por meus amigos que me convidavam depois para participar. Os Formula foi um projeto pensado de raiz por mim em parceria com o David. Tal como está a acontecer como novo projeto.







Depois de um momento bastante complicado que já foi fantasticamente ultrapassado, o que dás mais valor?



À vida. Não se trata de um bem adquirido, mas sim de uma dádiva. Há que aproveita-la e saboreá-la a cada momento.

 

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