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Cristina Branco

Orgulhosamente, nossa...





Estará dia 4 de Fevereiro, ao vivo, no teatro São Luiz, "Cantando Chico Buarque", acompanhada por Mário Laginha. Esta voz única que eleva o nome de Portugal pelo Mundo, está pronta para mais um ano de sucesso. 
Só posso convidar o leitor a descobrir esta nossa conversa!  

Por: Andreia Carneiro



"Cristina Branco in Holland" foi o seu primeiro álbum. E, porque, nada acontece ao acaso, este país continua a ser uma casa cheia de surpresas, cada vez que pisa um palco?

 Sim, continua a ser o País onde mais trabalho, foi/é sempre muito gratificante voltar lá.



Que tipos de "Murmúrios" ouve, hoje,  dentro do seu coração?

 Sou de facto intuitiva mas, profundamente pragmática. Páro muito para pensar e, isso, com o passar dos anos tornou-me menos utópica, menos romântica. Apesar de tudo, no fim da linha, é sempre o coração que me impele a agir, a cantar, por exemplo!



De tantos poetas portugueses que canta,  de forma invulgar e na minha opinião única... a quem escreveria um "Post-Scriptum" online, na esperança de obter uma resposta?

Poetas portugueses? Do passado, Pessoa para a chave da vida e David Mourao-Ferreira para cantar. Do presente gosto de tantos, são tão bons que acho difícil deixar uma nota de post-scriptum a todos. Pedro da Silva Martins, Capicua, Maria do Rosário Pedreira, Mário Cláudio, Samuel Úria, Lídia Jorge, tantos, tantos...





"Cristina Branco canta Slauerhoff", sendo este um dos seus poetas holandeses favoritos,  que outros homens deste país que a acolhe desde (quase) o primeiro dia, merecem as suas palavras de gratidão e admiração?

 Slauerhoff não foi um poeta favorito, foi uma feliz coincidência! Agradecer tenho, sempre, que fazê-lo, particularmente, a Martin Sanders, diretor, já reformado, da mítica sala de Concertos Het Concertgebouw, que acreditou que a minha música que dava os primeiros passos poderia pisar aquele palco, vezes e vezes sem conta ao longo dos anos e depois a todos os holandeses que respeitam e admiram o meu trabalho, que são fiéis e confiam, ano após ano, na minha música.



O Descobridor do deu talento é de certo modo, aquele homem, seu avô, que lhe oferece um cd aos 18 anos e que muda a sua visão da música?

O meu avô sabia que eu gostava de cantar, mas nunca soube que, efetivamente, o faria... ele mudou o meu respeito pelo Fado, pelo seu poder.



 Sendo uma voz do fado, invulgar e uma cantora com o sua forma de interpretar  inédita, traçando o seu próprio mérito e sucesso, sente que é um "Corpo Iluminado", sempre que enche um espaço fora de Portugal, com algo tao nacional e seu?

 Nada disso. Tenho o privilégio de fazer o que amo mais intrinsecamente (aparte os meus filhos que estão antes de TUDO), cantar. Em português ou em que língua for. Emociona-me sentir que chego às pessoas, mas no palco, naquele instante, sou eu comigo, com a música e as palavras e a gestão de sentimentos de tudo isso. Orgulho-me por saber que chego ao outro lado. Orgulho-me da língua portuguesa, profundamente, das palavras, da sua beleza e isso vê-se, isso pode iluminar qualquer um.



Não há só Tangos em Paris é a musica que oiço, vezes sem conta, e nunca me cansa. Da argentina vem o tango, de Paris o seu mundo iluminado e do México uma mulher inspiradora que sei que admira. Qual seria o melhor lugar para cantar o próximo álbum? Paris ao lado Eiffel, na torre... em Buenos Aires, brindando com Gardel, ou na casa azul com Frida Khalo e Diego Rivera; México portanto?

 Qualquer uma das cidades seria perfeita, uma vez que amo todas. Só falta Lisboa ou Amesterdão!







Em breve, estará "live", como gosta em Portugal. É desta forma que pretende comemorar o sucesso de 2015 com tantos espetáculos feitos, pelo mundo... e ter um bom presságio para este novo ano?

 Gosto de celebrar com música nova e com o reconhecimento de que é através da aprendizagem que cresço. É que 15 anos são a adolescência e não o declínio.


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