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As mitologias contam-nos como desde os tempos mais remotos, o sonho de voar foi sempre para a Humanidade um desafio e uma ambição. Imitando o voo dos pássaros, reproduzindo de um modo arcaico as suas asas, como nas máquinas voadoras de Leonardo da Vinci e mais tarde com balões e dirigíveis, o pensamento humano cedo ambicionou construir um aparelho capaz voar, de um modo controlado, cada vez mais alto, mais longe e mais depressa.  Portugal também juntou o seu nome à história das grandes viagens aéreas mundiais com o contributo de uma geração de notáveis aviadores que voaram sobre o Atlântico, a África, o Médio Oriente e a Ásia. Grande parte destes pioneiros eram jovens pilotos, da Aviação Naval e da Aeronáutica Militar, que deixaram para trás o conforto e a rotina diária, aventurando-se para o desconhecido, arriscando a vida em frágeis aviões, com que sobrevoavam pela primeira vez e durante horas, vastas regiões desconhecidas e inóspitas.  Com audácia e coragem, por vezes com algum romantismo e ingenuidade, estes homens de exceção bateram-se com tenacidade e heroísmo para vencer, com vontade indómita, todos os obstáculos e atingirem os seus objetivos. Confinados durante longas horas nos espaços exíguos e desconfortáveis dos aviões, obrigados a uma pilotagem constante e atenta, tantas vezes em cabines abertas desprotegidos do frio, do calor, da chuva, das poeiras, do ruído do motor e dos odores intensos do óleo e da gasolina.  A juntar a estas dificuldades, dispunham de mapas pouco precisos, campos de aviação desconhecidos e em mau estado, onde encontravam poucos apoios e locais desconfortáveis para retemperar forças. As informações meteorológicas, na época, não eram rigorosas, deixando a incerteza sobre o estado do tempo que apanhariam no percurso ou à chegada.  Nenhuma destas limitações travou a vontade indomável destes aviadores pioneiros, protagonistas de situações hoje inimagináveis para quem conhece o conforto das viagens aéreas. Este livro é um testemunho da coragem e do valor destes homens, que ajudaram a erguer a aviação portuguesa, voando pelo mundo entre 1920 e 1934. Um dever de memória.

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